Resposta rápida

Sim, o certificado energético é obrigatório em Portugal para vender ou arrendar um imóvel (Decreto-Lei n.º 101-D/2020). A classe energética deve constar no anúncio de venda e o certificado deve ser entregue ao comprador na escritura. Custa entre 150€ e 400€ consoante a tipologia, é emitido por um perito qualificado credenciado pela ADENE, e tem validade de 10 anos. Vender sem certificado energético válido é uma contra-ordenação.

A primeira dúvida de muitos proprietários que colocam a sua casa no mercado é: "preciso mesmo de fazer o certificado?" A resposta é simples — sim, é obrigatório por lei, e quem publicitar um imóvel para venda sem indicar a classe energética no anúncio está em incumprimento legal.

A questão prática é: quando tratar do certificado, quanto vai custar, e o que fazer se a classe for baixa.

O que é o certificado energético

O certificado energético é um documento que classifica o desempenho energético de um imóvel numa escala de A+ (mais eficiente) a F (menos eficiente). Em Portugal, é emitido no âmbito do Sistema de Certificação Energética (SCE), gerido pela ADENE — Agência para a Energia.

O certificado não mede apenas o consumo de energia — mede o desempenho potencial do imóvel, com base nas suas características construtivas: isolamento, envidraçados, orientação solar, sistema de climatização e produção de água quente. Dois imóveis com os mesmos hábitos de consumo podem ter classes diferentes se um tiver janelas com vidro duplo e outro não.

Para além da classe energética, o certificado inclui medidas de melhoria: sugestões do perito para melhorar a classe, com estimativa de custo e poupança esperada. Estas medidas não são obrigatórias — são informativas para o proprietário ou comprador.

Base legal: quando é obrigatório

O certificado energético é obrigatório para:

  • Venda de imóvel — a classe deve constar no anúncio e o certificado ser entregue na escritura
  • Arrendamento — mesmas condições que a venda
  • Grandes intervenções de reabilitação — obras que alterem substancialmente o desempenho energético

A base legal é o Decreto-Lei n.º 101-D/2020 (transposição da Directiva europeia 2010/31/UE e 2018/844/UE). A omissão da classe energética no anúncio de venda é uma contra-ordenação que pode resultar em coima.

Atenção: se o seu certificado tiver mais de 10 anos, está expirado e tem de ser renovado antes de publicitar o imóvel. Se o imóvel sofreu obras significativas (substituição de janelas, instalação de painéis solares, sistema de AVAC novo), o certificado anterior pode já não reflectir a realidade e deve ser actualizado.

Como obter o certificado energético: o processo

  1. Encontrar um perito qualificado ADENE — aceder ao portal SCE (sce.adene.pt) para consultar a lista de peritos na sua zona
  2. Solicitar orçamento — contactar 2-3 peritos para comparar preços; o custo varia entre 150€ e 400€
  3. Agendar a vistoria — o perito visita o imóvel para recolher dados: sistema de aquecimento/arrefecimento, isolamento, envidraçados, orientação solar, área
  4. Aguardar o relatório — o perito elabora o relatório e emite o certificado através do portal SCE (3 a 10 dias úteis)
  5. Receber e guardar o certificado — documento em PDF com número de registo SCE, a incluir no anúncio e a entregar na escritura

Quanto custa o certificado energético

Tipologia Custo aproximado Prazo habitual
T0 / T1 150–220 € 3–7 dias úteis
T2 180–280 € 3–7 dias úteis
T3 220–320 € 5–10 dias úteis
T4+ 280–400 € 5–10 dias úteis
Moradia 300–500 € 5–15 dias úteis

Os preços variam entre prestadores. Os mínimos indicados correspondem a peritos independentes; empresas maiores com overhead tendem a ser ligeiramente mais caros mas podem ter maior disponibilidade e prazos mais rápidos.

As classes energéticas: o que significam

A escala vai de A+ a F. Em Portugal, a distribuição do parque habitacional é desequilibrada:

Classe Descrição Imóveis típicos
A+ Passivo ou quase zero energia Construção nova certificada pós-2021
A Alta eficiência energética Construção nova ou reabilitação recente
B Boa eficiência Construção 2000s com isolamento adequado
C Eficiência moderada Construção anos 80–90 típica
D Abaixo da média Construção anos 70–80 sem obras
E Baixa eficiência Construção antiga, sem isolamento
F Muito baixa eficiência Pré-1960, sem quaisquer melhorias

A maioria dos imóveis em Portugal (especialmente os construídos entre 1960 e 1990) tem classes C, D ou E. Isso não impede a venda — a lei não exige uma classe mínima para vender. Mas uma classe baixa pode ser um factor de negociação para o comprador.

A classe energética afecta o preço de venda?

Em teoria, sim — um imóvel mais eficiente tem menor custo de utilização, o que é valorizado pelo comprador. Na prática, em Portugal o impacto é ainda moderado, especialmente em imóveis abaixo de 300.000€, onde a classe energética raramente é o factor decisivo.

O impacto é mais relevante em:

  • Imóveis de valor superior (acima de 400.000€), onde compradores são mais exigentes
  • Compradores de crédito habitação que necessitam do imóvel para fins de poupança a longo prazo
  • Arrendamento de longa duração — a classe energética afecta directamente os custos mensais do inquilino

Posso melhorar a classe antes de vender?

Depende do investimento necessário. As intervenções com melhor retorno energético são geralmente:

  • Substituição de janelas por vidro duplo — pode subir 1 a 2 classes
  • Isolamento de cobertura — grande impacto em moradias e últimos andares
  • Caldeira a gás de condensação em substituição de aquecimento eléctrico
  • Painéis solares térmicos para AQS — contribuição directa ao cálculo SCE

Antes de investir em qualquer melhoria, consulte o perito: o certificado inclui medidas de melhoria com estimativa de custo e de subida de classe. Para a maioria das vendas, o custo de melhorar a classe não se traduz num aumento equivalente do preço de venda — a regra de ouro é não investir mais de 1% do preço de venda em melhorias que não afectem a funcionalidade do imóvel.

Não sabe por onde começar com a documentação?

Ajudamos a organizar todos os documentos necessários para vender — certificado energético, caderneta predial, ficha técnica e licença de utilização. Sem complicações.

Ver Documentos Necessários para Vender

Para uma visão completa dos custos de venda, incluindo o certificado energético, leia Quanto Custa Vender um Imóvel em Almada. Se está a preparar-se para vender, veja também O que se Paga Quando se Vende Casa.

Perguntas frequentes sobre o certificado energético

Quanto custa o certificado energético em Portugal?

O certificado energético para habitação custa normalmente entre 150€ e 400€ em Portugal. O preço varia consoante a tipologia (T1 mais barato, T4+ mais caro) e a empresa ou perito qualificado. Obter orçamentos de 2 a 3 peritos da lista ADENE é a forma mais rápida de comparar preços.

Quanto tempo demora a emitir o certificado energético?

Depois da vistoria do perito ao imóvel, o certificado é emitido habitualmente em 3 a 10 dias úteis. O prazo total desde o contacto com o perito até à recepção do certificado é tipicamente de 1 a 3 semanas.

O certificado energético é obrigatório para vender?

Sim. O certificado energético é obrigatório em Portugal para vender ou arrendar um imóvel, nos termos do Decreto-Lei n.º 101-D/2020. A classe energética deve constar no anúncio de venda e o certificado deve ser entregue ao comprador na escritura. Vender sem certificado energético válido constitui uma contra-ordenação.

Quanto tempo é válido o certificado energético?

O certificado energético tem validade de 10 anos. Se o imóvel sofreu obras que alteraram o desempenho energético (isolamento, janelas, sistema de climatização), o certificado deve ser actualizado mesmo dentro do prazo de validade.

Diogo Dias · Consultor Imobiliário AMI 24232

Engenheiro civil com 16 anos de experiência em gestão de projectos de construção. Consultor imobiliário na AML desde 2019, especializado na venda de imóveis em Almada e zona sul do Tejo. Mais de 223 transacções e 30M€ em volume de vendas.